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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

"talvez seja simples'

                                    Talvez seja tão simples, tolo e natural que você nunca tenha parado para pensar: aprenda a fazer bonito o seu amor. Ou fazer o seu amor ser ou ficar bonito. Aprenda, apenas, a tão difícil arte de amar bonito. Gostar é tão fácil que ninguém aceita aprender.
 Tenho visto muito amor por aí, Amores mesmo, bravios, gigantescos, descomunais, profundos, sinceros, cheios de entrega, doação e dádiva, mas esbarram na dificuldade de se tornar bonito. Apenas isso: bonitos, belos ou embelezados, tratados com carinho, cuidado e atenção. Amores levados com arte e ternura de mãos jardineiras.
 Aí esses amores que são verdadeiros, eternos e descomunais de repente se percebeu ameaçados apenas e tão somente porque não sabem ser bonitos: cobram; exigem; rotinizam; descuidam; reclamam; deixam de compreender; necessitam mais do que oferecem; precisam mais do que atendem; enchem-se de razões. Sim, de razões. Ter razão é o maior perigo no amor. 
Quem tem razão sempre se sente no direito (e o tem) de reivindicar, de exigir justiça, equidade, equiparação, sem atinar que o que está sem razão talvez passe por um momento de sua vida no qual não possa ter razão. Nem queira. Ter razão é um perigo: em geral enfeia o amor, pois é invocado com justiça, mas na hora errada. Amar bonito é saber a hora de ter razão.
 Ponha a mão na consciência. Você tem certeza que está fazendo o seu amor bonito?
De que está tirando do gesto, da ação, da reação, do olhar, da saudade, da alegria do encontro, da dor do desencontro, a maior beleza possível? Talvez não. Cheio ou cheia de razões, você espera do amor apenas aquilo que é exigido por suas partes necessitadas, quando talvez dele devesse pouco esperar, para valorizar melhor tudo de bom que de vez em quando ele pode trazer.
Quem espera mais do que isso sofre, e sofrendo deixa de amar bonito. Sofrendo, deixa de ser alegre, igual criança. E sem soltar a criança, nenhum amor é bonito.
 Não tema o romantismo. Derrube as cercas da opinião alheia. Faça coroas de margaridas e enfeite a cabeça de quem você ama. Saia cantando e olhe alegre.
Recomendam-se: entabulamentos; ser pego em flagrante gostando; não se cansar de olhar, e olhar; não atrapalhar a convivência com teorizações; adiar sempre, se possível com beijos, “aquela conversa importante que precisamos ter”, arquivar se possível, as reclamações pela pouca atenção recebida. Para quem ama toda atenção é sempre pouca. Quem ama feio não sabe que pouca atenção pode ser toda atenção possível.Quem ama bonito não gasta o tempo dessa atenção cobrando a que deixou de ter. 
Não teorize sobre o amor (deixe isso para nós, pobres escritores que vemos a vida como criança de nariz encostado na vitrine, cheia de brinquedos dos nossos sonhos) :não teorize sobre o amor, ame. Siga o destino dos sentimentos aqui e agora. 
 Não tenha medo exatamente de tudo o que você teme, como: a sinceridade; não dar certo; depois vir a sofrer (sofrerá de qualquer jeito); abrir o coração; contar a verdade do tamanho do amor que sente.
Jogue pro alto todas as jogadas, estratagemas, golpes, espertezas, atitudes sabidamente eficazes (não é sábio ser sabido): seja apenas você no auge de sua emoção e carência, exatamente aquele você que a vida impede de ser. Seja você cantando desafinado, mas todas as manhãs. Falando besteiras, mas criando sempre. Gaguejando flores. Sentindo o coração bater como no tempo 
do Natal infantil. Revivendo os carinhos que instruiu em criança. Sem medo de dizer, eu quero, eu gosto, eu estou com vontade. 
 Talvez aí você consiga fazer o seu amor bonito, ou fazer bonito o seu amor,ou embelezar fazendo seu amor, ou amar fazendo o seu amor bonito (a ordem das frases não altera o produto), sempre que ele seja a mais verdadeira expressão de tudo o que você é e nunca, deixaram, conseguiu, soube, pôde, foi possível, ser. 
 Se o amor existe, seu conteúdo já é manifesto. Não se preocupe mais com ele e suas definições. Cuide agora da forma. Cuide da voz. Cuide da fala. Cuide do cuidado. Cuide do carinho. Cuide de você. Ame-se o suficiente para ser capaz de gostar do amor e só assim poder começar a tentar fazer o outro feliz.
Artur da Távola.



fonte:  http://www.mensagensbonitas.com.br/

sábado, 19 de novembro de 2011

O perigo da beleza.

Como você pode perceber nós seres humanos temos uma certa necessidade de  nos sentirmos bem,atraves da beleza,que é muito exigida hoje em dia...

O perigo da beleza

Frequentemente os meios de comunicação noticiam casos de mutilações e até mortes causadas pela busca desmedida da beleza. A estética corporal é hoje um dos segmentos que mais cresce no mundo, principalmente no Brasil, que figura em segundo lugar no ranking mundial de cirurgia plástica, só perdendo para os EUA. Certamente os cirurgiões não se incomodam com isso, pois trabalho para eles dificilmente faltará. Outros segmentos que veem com bons olhos a obsessão pelo corpo ideal são as indústrias farmacêuticas e de cosméticos, que faturam milhões de reais mensalmente atingindo lucros astronômicos.
Vale salientar, porém, que os meios de comunicação têm um papel dúbio no que se refere à estética corporal, ao mesmo tempo em que advertem para os perigos que os tratamentos e procedimentos estéticos corporais podem oferecer - como o abuso de medicamentos para emagrecer ou para tornar-se mais forte, os riscos do uso de produtos químicos e da prática médica sem licença para realizar cirurgias plásticas, entre outros -, são eles também responsáveis por uma parcela da busca incessante pelo corpo ideal, uma vez que os modelos e os personagens que aparecem nos programas de TV e nos anúncios publicitários exibem corpos esculturais, estimulando, assim, as pessoas a sacrificarem-se para seguir esse padrão de beleza.
A estética é uma palavra usualmente utilizada para referir-se à beleza física, mas para a Filosofia esse termo vai bem além disso. A raiz dessa palavra encontra-se no grego aisthesis, que significa “faculdade de sentir”, “compreensão pelos sentimentos”, “percepção totalizante”. É, portanto, o ramo da Filosofia que se ocupa da arte, do belo e do feio, dos gostos e dos estilos, das percepções artísticas, isto é, do que a arte suscita nos homens.
Mas como designar o que é belo e o que não é? Que critérios utilizar? Na realidade, há desde muito uma grande discussão entre os filósofos acerca da definição do belo. Primeiramente, devemos levar em conta que o conceito de beleza depende do contexto em que ela é analisada. Desse modo, o que é considerado bonito em determinada cultura pode não o ser em outra. Por exemplo, você já ouviu falar nas mulheres girafas?
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Você considera isso bonito? Provavelmente não, entretanto as mulheres que utilizam essas argolas acreditam tornar-se mais bonitas, dentro de seu contexto cultural.
Outro fator que influencia na determinação do belo é o período da história em que se encontra o indivíduo. Observe algumas fotos de seus pais. Perceba como as roupas eram diferentes e talvez um tanto estranhas para os padrões atuais. Agora, pergunte a eles se consideravam suas roupas e seus penteados feios naquela época. Pode ser que eles levem em consideração a beleza na atualidade e até façam uma autocrítica; porém, no momento em que as fotografias foram tiradas, o conceito de belo era outro. Essa ideia de que a beleza é fruto do seu tempo pertence a Georg Wilhelm Friedrich Hegel, filósofo do século XIX.
Platão, Aristóteles e outros filósofos da Antiguidade acreditavam em uma beleza universal e padrão, o belo em si. Para esses pensadores, em todos os objetos está o belo, independentemente de quem os observa. Como as pessoas têm apreensões diferentes sobre as coisas, o belo poderá tornar-se feio.
David Hume, filósofo do século XVIII, ao contrário dos seus “amigos” da Antiguidade, acabou relativizando a beleza. Para Hume, ela depende de cada um, ou seja, o que é bonito para um pode não ser diante de outra pessoa. No mesmo século, Immanuel Kant também se manifestou a respeito da tentativa de definir o belo. Segundo esse pensador, belo é “aquilo que agrada universalmente, ainda que não se possa justificá-lo intelectualmente. O juízo estético provém do prazer que se alcança no objeto como tal” . O que importa, portanto, é o sentimento do sujeito, e não o objeto em si; é aquilo que lhe atribuímos.
A estética na Filosofia não se preocupa apenas com a definição do belo, ela também analisa as obras de arte levando em consideração as suas funções e os sentimentos e as reflexões que ela provoca nos observadores. Dedica-se, ainda, à crítica de música, de TV e de cinema. Mas deixemos esses assuntos para o futuro.
Agora que você conhece um pouco da estética na Filosofia, a que conclusões você chegaria? Existe uma beleza universal? O belo depende do ponto de vista? A beleza é fruto de seu tempo? E se for, vale a pena sacrificar-se tanto em busca de um corpo “ideal”, se daqui a algum tempo tudo isso se tornará démodé?
Antes refletir sobre isso, confira algumas discussões sobre os perigos que a obsessão pela beleza pode trazer.

Fonte: http://blog.educacional.com.br/blog_filosofia/2010/11/03/o-perigo-da-beleza/#comment-110

domingo, 23 de outubro de 2011

Tv será que traz sabedoria?

TV e cultura: isso é possível?

A cada dia, ao retornarmos ao lar, fatigados¹ de nossa rotina modernamente conturbada, há “algo” que está sempre nos esperando. No passado, seria a nossa mãe ou, em alguns casos, o cachorro. Mas o fato é que, na atualidade, quem inevitavelmente está em casa lá para nos acolher é a TV. Muitos, inclusive, antes de dizer “Oi, mãe!”, “Oi, Totó!” ou “Oi, amor!”, ligam o aparelho, para prontamente escutar “A gente se liga em você”. Ou, então, encontram a mãe, o cachorro e o seu companheiro, hipnotizados, babando como zumbis na frente da telenovela. A TV, definitivamente, “se liga na gente”.
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Legenda: A que programa ele estaria assistindo? Por: Laertes. Creative Commons. Atribuição 2.0 Genérica (CC BY 2.0).
Assim, ao invés de termos de perguntar um ao outro como foi o dia e dar explicações fastidiosas² ou, então, nos aborrecer para que brinquemos ou levemos o cachorro para passear, a adorada TV apenas exige que sentemos em nossas poltronas e relaxemos. Ela nos acolhe e permite que, por alguns momentos, nos desliguemos da realidade monótona do nosso cotidiano e adentremos em um mundo de aventura, romance, debates, esporte, música e “muito mais”. 
A sociedade moderna venera a televisão e a coloca em verdadeiros altares - os seus racks ou estantes enfeitados. Chegamos a gastar milhares de reais adquirindo aquela de melhor imagem, som mais potente ou qualquer outro super-recurso que, em tese, justifique seu preço exorbitante, sem que isso, contudo, mude o principal na relação entre expectadores e TV: a qualidade dos programas ofertados.
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Legenda: Sonho de consumo de gerações passadas. A TV é hoje uma importante mídia, que exerce grande influência sobre o cotidiano das pessoas. No Brasil, ela é um dos principais meios utilizados pela população para informar-se quanto aos assuntos políticos e econômicos, por exemplo. Por: por Robert Couse-Baker. Atribuição 2.0 Genérica (CC BY 2.0).
 
Se analisarmos o fenômeno da televisão e a sua inegável influência sobre as nossas vidas, sob a perspectiva das teorias de Karl Marx, muito embora sejam tais estudos anteriores ao surgimento do aparelho, veremos que alguns princípios enunciados pelo filósofo podem ser aplicados quase como se ambas (teoria e TV) tivessem surgido uma após a outra. Podemos dizer que os programas atualmente ofertados fazem com que a população adote, de forma homogênea, os princípios e valores de uma elite econômica, impedindo que se reconheça enquanto uma classe trabalhadora, explorada economicamente e iludida com o “sonho burguês” de comprar o jeans de marca, o carro bacana, a bolsa ou o sapato de grife usados na novela pela atriz X.
Não percebemos que todos os programas nos vendem produtos e valores morais, e isso acontece desde a roupa bacana usada pela mocinha, ao desdém com que os ricos da novela tratam os subservientes e leais empregados. Essa falta de percepção crítica da realidade chama-se alienação, segundo as análises da sociologia. Ou, então, perpetuamos o asco demonstrado pelos personagens pobres das tramas com relação à condição na qual vivem na ficção: “Coisa de pobre!” Como se fosse indigno ser pobre. A propagação de valores à grande massa alienada, de modo que ela acredite em um discurso que mascara a sua própria realidade e perpetua a condição de alienação a qual se encontra é chamada de ideologia por Marx.
Ainda analisando os comportamentos inspirados pela influência midiática, sob a ótica das teorias marxistas, se, por um lado, os produtos recebem status e importância pela mídia por serem da marca X ou Y, associados às figuras públicas de grande audiência, sendo venerados em seus anúncios comerciais, por outro lado, as pessoas transformam-se em meras mercadorias, que vendem sua mão de obra aos detentores dos meios de produção em troca de um salário aquém da quantidade de riquezas que produzem. A isso Marx chama de mais-valia.
Assim, a mercadoria passa a determinar as relações entre pessoas e o trabalhador passa a ser visto apenas como uma mera ferramenta em uma grande engrenagem produtiva, e só não é completamente dispensado, dando lugar a máquinas, por que se necessita dele na outra ponta nessa cadeia: como consumidor (e telespectador).
Voltando à programação televisiva, alguma alternativa para a sua falta de criatividade e, às vezes, de bom senso? Alguma luz de dignidade e cultura aliada ao entretenimento? A chave está justamente em nossa posição de consumidores.